Vinho Caseiro: Ameaças à Qualidade

Wine domesticated Threats to QualityO vinho caseiro é uma tradição portuguesa que tende a perder-se, não porque os portugueses bebam menos, mas porque passaram a preferir os vinhos de marca. Nas últimas duas décadas, o profissionalismo e os recursos empregados pelas herdades e empresas produtoras fizeram elevar consideravelmente a qualidade geral dos vinhos portugueses, ao ponto de mesmo os mais baratos vinhos de mesa – agora servidos em “bag-in-box”, e não em garrafão – serem facilmente de qualidade superior ao que se consegue num vinho caseiro. Tal não impede que a colheita de uvas e a produção de vinho em casa seja uma boa atividade de lazer. Veja alguns motivos que levam a que o vinho feito em casa possa não ser tão bom quanto o do supermercado:

Qualidade das pipas

As marcas produtoras de vinho utilizam pipas feitas em aço inoxidável e asseguram as melhores condições para a conservação do vinho. Os produtores caseiros podem comprar pipas em inox, pequenas e à sua medida, mas é certo que isso representa um investimento. Frequentemente, e principalmente nas zonas rurais, os produtores utilizam pipas com muitos anos, ou décadas, já utilizadas pelos seus pais ou avós.

A madeira não precisa de ser abandonada – muitas marcas de vinho são deliberadamente envelhecidas em cascos de madeiras específicas, como o carvalho francês – mas é importante que se mantenha em boas condições.

Rolhas de plástico

Alguns produtores caseiros engarrafam o seu vinho com rolhas de plástico, em vez das rolhas de cortiça usadas pelas marcas. É curioso que a produção caseira utilize um material moderno, enquanto os profissionais preferem o natural. Compreende-se, por ser de mais fácil aplicação, porém a cortiça será sempre superior ao plástico em termos de conservação do vinho.

Qualidade das uvas

A qualidade das uvas utilizadas influencia diretamente a qualidade do vinho. Os produtores caseiros enfrentam vários tipos de ameaças, ao longo do ano: geadas fora de época (em março ou abril, por exemplo), chuva insuficiente durante a primavera, falta de sol nos meses cruciais de junho e julho, nevoeiro e humidade em excesso, ataques de pássaros, lagartas, oídio, etc.