Para Entender a Verdadeira Natureza do Vinho

True Nature of WinePode considerar-se que o vinho é um elemento essencial da cultura e da civilização ocidentais, desde tempos remotos. Na atualidade, a sua popularidade começa a expandir-se para outras latitudes, nomeadamente a Ásia e também a África. Somente as culturas que rejeitam o álcool, por motivos religiosos, conseguem resistir ao fascínio de Baco. Porém, uma rejeição do álcool não deveria significar receio em relação ao vinho – na prática, trata-se de saber se é o vinho que toma conta de quem bebe, ou o inverso.

Ao longo dos artigos prévios, quase não se falou do papel do álcool no vinho. Com efeito, a degustação de vinho nunca deve ter o álcool como principal fator. A enofilia e a degustação de vinho deveriam ser ensinadas exatamente para que todas as pessoas possam tirar prazer da bebida, mais do que do álcool. Um consumo moderado e feliz é a consequência natural desta atitude.

O álcool surge apenas como consequência positiva do consumo degustativo de uma garrafa. Pode comparar-se a sua degustação a uma viagem, em que o importante é desfrutar do caminho, e não chegar rapidamente ao fim. O inverso constitui, na verdade, um comportamento de risco, simbolizado pelos jovens que optam por consumir bebidas espirituosas para se embriagarem rapidamente. O enófilo nunca tem como objetivo a sensação de descontrolo e de embriaguez; quando chegam os primeiros sinais, ele sabe que chegou a hora de parar.

É também por esse motivo que o copo de vinho nunca deve ser cheio até ao bordo. Além de ser necessário agitar o copo para “abrir” os aromas, um copo cheio como que indicia uma vontade de beber mais, e não de beber melhor. Beber de “penálti”, de acordo com a expressão corrente, significa estar completamente alheio ao verdadeiro prazer que um vinho proporciona. Hoje em dia, nem o mais corrente vinho de mesa português merece ser tratado dessa forma.